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Joel Silveira, o jornalista
Na última quarta-feira, dia 15, a imprensa do Brasil ficou órfã de um de seus maiores representantes, o repórter que revolucionou o jornalismo brasileiro, Joel Silveira, precursor do jornalismo literário e autor de uma formidável cobertura da participação brasileira na Segunda Grande Guerra. Para entender a importância deste jornalista, basta ler os diversos links que indico abaixo e conhecer os seus livros.
A imagem ao lado (clique nela para ampliá-la) fiz a partir da foto de Camila Maia, publicada no site do jornal O Globo.
Clique aqui para ler depoimentos de oito jornalistas publicados no site da ABI.
Veja como diversos veículos noticiaram o passamento deste brilhante jornalista e repare que o Estadão publicou a notícia em Arte & Lazer, da editoria Variedades, que é uma seção, no mínimo, estranha para dar essa notícia:
ABI Online (Associação Brasileira de Imprensa)
Folha Online (Folha de S.Paulo)
Portal G1 (Portal de notícias da Globo)
O Globo Online (O Globo)
Último Segundo (IG)
Estadão.com.br (O Estado de S.Paulo)
Blog do Geneton Moraes Neto ou
texto publicado no Fantástico
Para saber mais, leia:
Verbete na Wikipédia.
A Testemunha Ocular da História, por Leão Serra
Histórias que dão Prazer, por Gonçalo Júnior (Texto publicado originalmente na Gazeta Mercantil)
Texto no blog Breves Notas
Leia também o texto que o jornalista Helio Fernandes publicou em sua coluna de ontem, na Tribuna da Imprensa, que transcrevo neste link.
Joel Silveira fala:
Fama & Anonimato, por Darlan Alvarenga, publicada no IG.
Punhal de Víbora, por Francisco Alves Filho, publicada na Isto É
O Estado Novo e o Getulismo, por Gilberto Negreiros, publicada na Folha de S.Paulo, Almanaque
Depoimento a Geneton Moraes Neto
Quem Disse que Víbora Não Fala?, por Geneton
Livros de Joel Silveira:
O Inverno da Guerra
A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista
A Feijoada que Derrubou o Governo
Diário do Último Dinossauro
Livros de Joel Silveira no Submarino, na Siciliano e no Comprar Livros
Texto de Joel Silveira:
Rio (em Releituras)
Em maio deste ano, Silveira foi homenageado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) no 2º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Add comment 17 Agosto, 2007
Helio Fernandes escreve sobre Joel Silveira
O texto abaixo foi publicado ontem, na coluna do Helio Fernandes, em seu jornal Tribuna da Imprensa. Leia o texto de um jornalista lendário sobre outro:

Morre o escritor e jornalista Joel Silveira
O maior repórter do Brasil
Logo pela manhã recebo a notícia que me comove e me entristece. Passo em revista os mais de 60 anos de amizade, de convivência, de admiração por Joel Silveira, o homem que durante quase 70 anos foi considerado o maior repórter brasileiro. Se no Brasil houvesse um Prêmio Pulitzer (destinado apenas a repórteres-escritores), quase todo ano ou a cada livro, teria que ser entregue ao Joel.
Chegando ao Rio vindo de Sergipe (espero que deputados e senadores desse estado de tantas tradições culturais façam homenagem, não apenas singelas mas veementes), Joel logo se destacou e agitou o jornalismo, com a formidável reportagem, intitulada “Os grã-finos de São Paulo”.
Tinha 20 anos, morre com 88, foram 68 anos de liderança, de prestígio, de trabalho duro mas apaixonado. Além de repórter maior, foi diretor de jornais diários e semanários de combate, que transformava em alavancas e pontos de apoio para arrombar as portas do Poder desprezível, das injustiças contra a coletividade, para denunciar as ditaduras.
Sua capacidade de trabalho era impressionante. Tem uma dezena de livros, do repórter e do escritor, os dois conviviam na maior intimidade. Sobre a FEB, da qual participou na Itália, o melhor livro e o mais elucidativo é o dele. (Excluído naturalmente os dois publicados pelo coronel, depois general, Floriano de Lima Brayner, chefe do Estado Maior do marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB. Libelo tremendo contra o então tenente-coronel Castelo Branco, a quem Lima Brayner denuncia e responsabiliza, com provas, pelo fracasso de Monte Castelo e não apenas esse).
Joel não parou de trabalhar um dia que fosse. Depois que deixou o jornalismo da rua, de participação direta nos fatos, contando-os e influenciando-os, Joel se dedicou à função de tradutor, o que fazia com maior ou menor facilidade em várias línguas. Precisava viver, embevecido e entusiasmado pela obsessão de servir à coletividade, esqueceu de cuidar da própria vida. Iracema, devotada e a vida inteira encantada por ele, foi a inspiradora, agora desolada e sozinha.
Trabalhamos juntos muitas vezes, nossas rebeldias se juntavam de forma indissolúvel. Dirigiu o “Semanário”, com grandes figuras do jornalismo, como Ruben Braga, Osvaldo Costa e outros, que surgiriam dali para a glorificação.
Foi sempre, pessoalmente, um extraordinário gozador. O grande ex-prefeito do Distrito Federal (um dos maiores) Henrique Dodsworth, depois que voltou de embaixador em Portugal, foi nomeado presidente do Banco do Distrito Federal. No patrimônio desse banco, um jornal, “A Vanguarda”, de tradição na imprensa carioca.
Dodsworth convidou Joel para dirigir essa “Vanguarda”, mas avisou logo: “Desculpe, mas não há dinheiro”. Assim mesmo Joel fez um jornal belíssimo, as manchetes feitas por ele, primorosas, a Primeira, marcante. Um dia, visitando a redação, um famoso escritor comentou: “O jornal está ótimo, Joel, mas não tem notícia”. E Joel, em cima do fato: “Não tem a menor importância, quem quer notícia compra O Globo“.
PS - A partir de hoje, a Academia fica durante uma semana com a bandeira a meio-pau. Não é homenagem nem saudade.
PS 2 – É o luto e a vergonha da própria Academia, que em duas oportunidades não elegeu
Joel.
Joel Silveira O maior jornalista da sua geração, poderia ter sido enterrado de fardão. Não acrescentaria muito, mas a Academia não ficaria tão atingida.
Add comment 17 Agosto, 2007
Carta a uma paixão definitiva
Caros leitores, atenção para um importante aviso:
Nesta terça-feira, dia 19 de junho às 19 horas, o considerado jornalista Moacir Japiassu, autor da coluna semanal Jornal da ImprenÇa, publicada no site Comunique-se, estará autografando seu novo livro de crônicas – Carta de uma Paixão Definitiva – na recém-(re)inaugurada Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Não perca esta noite de autógrafos. Afinal, não é sempre que Japiassu sai de sua toca no Engenho Maravalha…
Não deixe de ler também a ótima entrevista que Japiassu deu à Solange Noronha, do site da Associação Brasileira de Imprensa (o ABI Online), clicando aqui. Esta entrevista foi reeditada e publicada no Jornal da ABI nº311, que tive o prazer de diagramar. Na capa, um dos destaques é a declaração do jornalista e escritor: “Há estudantes de Jornalismo que nunca abriram um livro!“. Para baixar este número em arquivo pdf, clique aqui.
Depois de receber o Jornal da ABI com sua entrevista, Moacir enviou-me uma simpática mensagem eletrônica que reproduzo abaixo:
“Consideradíssimo amigo, somente agora recebo o excelente Jornal da ABI, porque havia sumido o mensageiro para dar um pulo na agência dos Correios. A matéria ficou uma beleza, Ucha, uma beleza que não mereço.
Receba minha gratidão, extensiva, é claro, ao nosso chefe Maurício Azedo. E mais aquele abraço do Japi.”
Quer saber mais sobre o livro Carta a uma Paixão Definitiva? Leia o texto que a assessoria de imprensa da editora Nova Alexandria me enviou:Crônicas do escritor Moacir Japiassu, publicadas nos anos 80, viram livro envolvente e sedutor.
Embora comprometido com a realidade imediata, o jornalismo também pode refletir uma prática literária. E a crônica é o melhor exemplo disso, sobretudo quando capta o universal do momento e torna perene o aparentemente circunstancial. É o caso das crônicas reunidas em Carta a uma paixão definitiva, que o escritor Moacir Japiassu escreveu nos anos 80 e a Nova Alexandria acaba de publicar.
Nada escapa ao olhar de Japiassu, cujo texto saboroso é conhecido. Tendo o amor como tema central, estas crônicas, porém, refletem os diversos aspectos da vida contraditória daqueles anos de redemocratização, mas num sentido universal próprio dos alcançados pelos grandes cronistas.
Dividido em cinco campos temáticos , o livro Carta a uma paixão definitiva é obra para ser lida com o frescor de textos contemporâneos, mas que também nos conduz a uma divertida viagem por momentos importantes de nossa recente história.
O livro será lançado na nova sede da Livraria Cultura, recém-inaugurada no Conjunto Nacional, às 19 horas do dia 19 de junho.
Sobre o autor
Sertanejo de João Pessoa, como ele gosta de dizer, Moacir Japiassu nasceu em 4 de julho de 1942, filho de dona de casa e funcionário público, este transferido para Belo Horizonte em 1957. Japiassu iniciou a carreira jornalística no Correio de Minas, em 1962, antes de completar 20 anos, porém a literatura, paixão da juventude, só emergiu na maturidade, quando escreveu Unidos pelo Vexame (novela juvenil), O sapo que engolia ilusões (contos) e os romances A Santa do Cabaré, Concerto para Paixão e Desatino e Quando Alegre Partiste . Bem-humorado crítico do jornalismo, reuniu parte de seu trabalho em Jornal da ImprenÇa – A notícia levada açério, e, em Danado de bom!, o melhor da cozinha nordestina, revelou seu talento de chef de cuisine , talento nascido da penúria dos primeiros tempos.
É casado há 39 anos com a também jornalista Marcia Lobo, a “paixão definitiva”, e tem um filho, Daniel, que seguiu a profissão dos pais.
Add comment 17 Junho, 2007
Me visitem na cadeia novamente
A crônica Me visitem na Cadeia, de João Ubaldo Ribeiro, é tão importante que deve ser lida por todos; e sempre que possível, relida. Já havia postado uma recomendação de leitura desse texto no dia 7 de abril do ano passado (O assombro de João Ubaldo), onde coloquei um link para o artigo no site de O Globo. Mas esse link foi perdido. Por isso fiz uma pesquisa na internet para tentar disponibilizá-lo novamente neste blog. Não encontrei o texto em nenhum dos jornais que publicaram a crônica de João Ubaldo, mas descobri reproduções em alguns sites e blogs, cujos links estão aí embaixo; sinal de que muitos também o consideram importante. Clique neles para ler esta declaração de um brasileiro indignado!
Aproveito para indicar um outro texto do grande escritor e acadêmico: Não morri e continuo o mesmo, sobre a quase morte de João Ubaldo e a decepção de alguns por ele estar vivo. :>)
O artigo foi publicado em diversos jornais, entre eles o Diário do Nordeste e O Estado de S.Paulo (para assinantes, ou no site Intercidadania, que publica o artigo e dá crédito ao jornal paulista) e O Globo (você tem que se registrar para acessar o artigo).
Para ler Me visitem na cadeia, clique nos links abaixo:
Nos sites: da Castelo Branco Advogados e da Tribuna Online
Nos blogs: clique aqui ou aqui.
Add comment 7 Março, 2007
O Chão de Graciliano, o livro

Amanhã, dia 1º de março, acontece o lançamento do livro de arte-reportagem O Chão de Graciliano, de Audálio Dantas e Tiago Santana, na Livraria da Vila (em São Paulo), a partir das 18:30h. Quem puder ir, não deve perder esta noite de autógrafos. O livro é um importantíssimo registro da região de nascimento e criação literária do grande escritor Graciliano Ramos. Um programa legal para professores e alunos!
Saiba mais lendo os textos dos seguintes links:
Registro da exposição O Chão de Graciliano, no Sesc Pompéia, em 2003.
ABI Online (site da Associação Brasileira de Imprensa)
UBE (site da União Brasileira de Escritores)
2 comments 28 Fevereiro, 2007
Dependemos da Amazônia: lute por ela!

Nada é mais impactante do que ver pessoalmente uma tragédia. Não estou falando que a imagem de algo sendo destruído não tem impacto quando a vemos pela televisão. Mas, ao vivo, as cenas duras te acordam como um tapa na cara! É mais ou menos isso o que aconteceu com um grupo de atores da série Amazônia, da Rede Globo. Todos sabemos que é necessário fazer algo urgentemente para pôr um fim na irascível destruição de nossa floresta, verdadeiro patrimônio ecológico mundial.
Mas, ver de perto sua destruição fez com que atores como Christiane Torloni, Victor Fasano e Juca de Oliveira se mobilizassem para criar um manifesto pedindo ações concretas em defesa da região. Esse documento está disponível na internet e pode ser visto (ou lido) no site Amazônia Para Sempre e você também pode participar dando o seu apoio assinando o manifesto e pedindo aos seus amigos que façam o mesmo!
Clique no banner acima, conheça o site, leia e assine o manifesto que será entregue ao presidente da República depois que atingir o número suficiente de assinaturas.
Na realidade, se as “autoridades” fossem mesmo competentes (e se fossem autoridades), nada disso precisaria ser feito, pois a Amazônia não estaria sendo dilapidada a olhos vistos.
O texto do manifesto é de autoria do ator Juca de Oliveira, e sua apresentação no site utiliza as maravilhosas fotos de Araquém Alcântara – um grande e apaixonado fotógrafo, especializado na região amazônica (é o autor da foto que ilustra este texto)– e Francisco Carreira. A emocionante narração da apresentação, que é acompanhada do Hino Nacional e pelas Bachianas Brasileiras Nº 5, de Heitor Villa Lobos, ficou a cargo de Torloni e Fasano. Os atores lembram que “essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da Terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta”.
A alarmante situação da degradação da natureza causada pelo homem não deixa mais dúvidas de que a população tem que se mobilizar e exigir dos governantes mais respeito com a vida, em todos os sentidos. A paz na Terra é fundamental.
Add comment 27 Fevereiro, 2007
A musa e o escritor
Ignácio de Loyola Brandão não é qualquer um. Jornalista – trabalhou na Última Hora e na TV Excelsior –, amante do cinema – quis ser roteirista e, por causa disso, mudou-se para a Itália no início dos anos 60. Diz que assistiu 53 vezes ao filme Oito de Meio de Federico Fellini. Hoje é um escritor reconhecido internacionalmente e publica suas crônicas no Caderno 2, do jornal O Estado de S.Paulo.
Por sua brilhante carreira, chama atenção o belíssimo (e apaixonado) texto que ele escreveu sobre Cláudia Abreu. Na realidade, ele começa a falar de novelas, ou melhor das novelas de Gilberto Braga… mais precisamente, de Celebridade. Faz uma rápida crítica social mas, seu assunto mesmo é Cláudia. Diz o escritor:
Completa, admirável, atriz que tem talento, tem recursos, voz, sabe onde colocar as mãos, conhece o tom exato de um diálogo, tem uma raiva interior que assoma aos olhos, transpira em cada poro. Sua interpretação é contida, tem ritmo, acelera, desacelera, ela sabe o momento exato de puxar o freio, transforma o ódio em doçura em dois segundos.
Depois das palavras de Loyola Brandão, qualquer coisa que se escreva sobre Cláudia Abreu parece supérfluo. Escrito em julho de 2004, o texto ainda é atual e define a atriz em todas as suas nuances. Leia, então, o texto aqui e veja como a musa inspirou o escritor.
Saiba mais sobre Cláudia Abreu nos seguintes links:
Adoro Cinema – Filmografia com links dos filmes no site
IMDb – Internet Movie Database
Revista Oi – Entrevista
Saiba mais sobre Ignácio de Loyola Brandão clicando abaixo:
Releituras – Ótima página com um resumo biográfico e bilbiográfico
Educarede – Resumo biográfico e resenhas.
Submarino e Americanas- Os livros do escritor nas duas lojas virtuais
Quer ler o roteiro de alguns capítulos de Celebridade? Então visite o banco de roteiros do site Roteiro de Cinema.
Add comment 7 Fevereiro, 2007
Tucano bica, leão ruge
Pessoal, fiquei muito tempo sem aparecer por aqui. Muito trabalho de novo, neste início de ano (e alguma sonolência também). Mas estamos de volta. E, para recomeçar, sugiro dar uma lida no texto Quando a criatividade excede os limites, do jornalista Eduardo Martins. Ele sempre apresenta textos interessantes no Cultura News. E este não é diferente. Nele, o autor discorre sobre as armadilhas dos trocadilhos que, algumas vezes, os jornalistas adoram cair.
Você certamente já ouviu chamadas de TV ou títulos em jornais do tipo: “Tucanos afiam o bico…”, para falar dos políticos do PSDB; ou então “Leão ruge” ou “Leão mostra as garras”, numa referência ao severo treinador de futebol. Usar essa técnica “criativa” é bom ou ruim? Muitos jornalistas – principalmente em reportagens na televisão – adoram utilizar esse expediente para dar um certo charme em suas matérias.
Particularmente, gosto de usar trocadilhos algumas vezes – como em Blogs à Bessa, sobre o ótimo blog de Celso Bessa. Gosto mais de usar referências – como em Soninha Toda Pura ou Feitiço do Tempo (os dois são títulos de filmes que combinam com o que foi escrito).
Mas há que se ter cuidado com o trocadilho. Nem sempre ele soa bem, como você pode entender lendo o texto do Eduardo.
Ah! A foto que ilustra esta postagem é de um Tucano, não a ave, claro. É o avião da esquadrilha da fumaça.
Add comment 6 Fevereiro, 2007
Leve 2007 e ganhe um ano bom
Uma colega, a jornalista Fátima Gigliotti, enviou um delicado texto desejando um 2007 leve e “pleno da sustentável leveza do ser”. Não é que eu concorde ipsis-literis com tudo o que está escrito (afinal há um tom bastante otimista para esses dias de atentados e da falta de melodia na vida das pessoas), mas a beleza da mensagem e o seu teor, que nos leva à reflexão, não poderiam ficar restritas a, apenas, uma mídia. Por isso o reproduzo abaixo:
“Milan Kundera, que eu admiro tanto, que me perdoe. Mas leveza é fundamental. E sustentável sim.
Nesse ano nós perdemos Robert Altman, talvez o inventor do conto cinematográfico, e Philippe Noiret, o poeta Neruda que no cinema transformou a vida de um carteiro com o poder da metáfora, numa obra inesquecível – maduros, até velhinhos, se me permitem. Vimos Chico Buarque numa temporada memorável no lançamento de seu novo CD, que teve inclusive livro-canção lançado nas bancas, com reportagem biográfica de Humberto Werneck: monumental artista e monumental jornalista e escritor, juntos; e vimos Caetano também, que juntou-se à nova geração de músicos, a de seu filho Moreno, no CD “Cê”.
Tantas palavras – e fatos – para constatar uma realidade: não, nossos heróis não estão morrendo de overdose, mas de vida! E a maturidade, essa benção tão menosprezada pela mídia em geral, com sua vocação comercial para a juvenilização do entretenimento, ignora ser ignorada e continua produzindo algumas das melhores obras da cultura, brasileira e internacional. Geração abençoada essa nossa.
Abençoada também porque tem o privilégio de testemunhar e, eventualmente, ser sujeito de um momento único da teoria da informação, da filosofia da comunicação: o nascimento de um possível novo modelo econômico, ainda capitalista, o da gestão sustentável, do compromisso com o futuro, em linhas gerais. E nele, a informação e sua comunicação tem papel primordial, senão prioritário: o de conferir transparência, coerência e legitimidade às ações financeiras, sob todas as suas possíveis abordagens. Seriam a economia e também a política se alinhando à “nova ordem mundial”? Ou ainda “alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”?
No Brasil também, de qualquer maneira, a nova tendência caminha a passos largos, para quem tem olhos de ver, e o conceito de sustentabilidade ecoa, e faz ecoar também os primeiros passos do que pode se chamar de comunicação sustentável… quem sabe teremos nos próximos anos cultura sustentável?
Posso passar por otimista, mas acredito que uma atitude vale por dez mil palavras (já que uma imagem vale por mil palavras). E queria convidá-lo (a) a celebrar esse 2007 com uma nova atitude, a da sustentável leveza do ser. Um diretor de teatro e cinema que eu admiro muito me disse que estava escrevendo uma comédia, nada política, leve. Me fez pensar como a nossa tradição judaico-cristã abandonou o humor e se tornou especialista em ironia: arte da inteligência, sim. Mas quase nunca leve.
Por isso, queria desejar um 2007 leve. Muito leve, de bom humor, alegre, apesar de consciente. Um 2007 pleno da sustentável leveza do ser. Afinal, não temos tempo a perder, como diz o Lenine na letra da música “Paciência”, uma obra-prima da nossa MPB, mesmo para quem não é muito fã. A vida é tão rara, mesmo. Por isso, deveria ser sempre celebrada, apesar dos pesares. Nos seus mínimos – e preciosos – detalhes.”
PS: os ideogramas são meramente ilustrativos. Não tenho a menor idéia do que eles significam…
Add comment 2 Janeiro, 2007
Bom Natal a todos
Acabei de publicar na página Os Mais Lidos, a relação dos textos mais acessados dos últimos 30 dias, já que, até o Natal, não devo postar nada mais, a não ser um sobre a formatura das turmas de 3º ano do Colégio Friburgo, que entrará no ar amanhã pela manhã.
Sobre a lista, Boa Noite, Boa Sorte e o McCarthismo continua em primeiro, mas a novidade é o texto sobre outro filme – Casablanca –, aparece em terceiro lugar, logo abaixo daquele em que comento a eliminação patética do Brasil na Copa da Fifa. Em seguida aparece um texto postado em 30 de outubro sobre uma matéria da revista Época São Paulo. Cortês de corpo e alma, sobre o grande Raul Cortez, é um texto que sempre esteve entre os textos mais lidos, mas não aparecia na primeira lista, e agora está em 9º, logo abaixo de A passagem de Alex Toth, que continua entre os mais lidos.
Bom, agora quero desejar a todos os leitores um Natal maravilhoso!
Add comment 22 Dezembro, 2006
A forma das formas do sapato
E agora? O que o título acima quer dizer? Que alguém fez um forma de sapato tão perfeita que seria a “forma das formas de sapato” ou ele está se referindo ao formato das formas de sapato? Leia, então, o texto Acentos que fugiram da regra, de Eduardo Martins (autor do Manual de Redação e Estilo de O Estado de S.Paulo), para entender um pouco esse pequeno problema.
Add comment 2 Dezembro, 2006
Os 10 mais
No último sábado, criei uma página chamada Os Mais Lidos (veja num dos links no menu de cima) onde serão listados, periodicamente, os textos mais visitados a cada mês. Assim os leitores terão mais opções de links para navegar rapidamente para um assunto de seu interesse, além de poder comparar os assuntos mais lidos a cada mês. O texto sobre o filme Boa Noite, e Boa Sorte – que publiquei em 29 de março –, e o Espetaculares imagens poéticas! – publicado em 8 de julho –, estão entre os campeões de visitação desde que foram postados. Mas há outros que estão sempre entre os mais visitados e muitas vezes chegam aos 10 mais do blog. É o caso daquele sobre o roteiro do filme Casablanca ou d’outros em que fiz pequenas homenagens a Bussunda e Raul Cortez. Há também aqueles onde recomendo leituras de artigos de jornalistas brilhantes inconformados com a situação política e social do país, como é o caso de Juca Kfouri, Arnaldo Jabor e João Ubaldo Ribeiro.
Add comment 30 Novembro, 2006
Vesti uma camisa amarelo-escura e saí por aí
Tanto para quem vai fazer vestibular (ou outras provas), quanto para quem quer ler mais sobre a língua portuguesa, deve fazer uma visita às páginas da Dad Squarisi, que está hospedada na área de concursos do site CorreioWeb, do Correio Braziliense, e do professor Dílson Catarino, que está no site Fovest, do jornal Folha de S.Paulo.
Dad dá dicas de português através de um texto descontraído e, algumas vezes, engraçadinho. Leia, por exemplo, o que ela escreve sobre o Hino da Bandeira. Já o professor Dilson tira dúvidas com foco no Vestibular e o internauta pode ainda testar seus conhecimentos fazendo exercícios. Se a dúvida persistir, há como enviar um e-mail para o professor: ele promete responder aos internautas pelo site, como aconteceu no caso da dúvida Qual a concordância correta da frase: Escolha a cor cinza clara ou Escolha a cor cinza claro?
Agora sim: vesti uma camisa amarelo-escura e saí por aí…
Bom… se você vai fazer vestibular e anda preocupado com sua performance nos simulados, leia a importante matéria Nota de simulado de vestibular desgasta candidatos e veja também algumas dicas sugeridas pelo site Fovest.
Add comment 6 Novembro, 2006
O que fazer antes, durante e depois
A revista Época nº438 circulou, em São Paulo, com uma edição especial sobre educação, voltada para o Vestibular 2007, que trazia “um guia de 109 faculdades em São Paulo”. Essa revista dá boas dicas para quem vai fazer vestibular, mas uma matéria me chamou especial atenção: Mostre seu currículo oculto, escrita por Christiane Brito e Pedro Henrique França, diz que “ser um aluno curioso e atento (…) é essencial para uma formação básica sólida”. Mas ela lembra ao estudante que isso não é o bastante. “O hábito da leitura, freqüentar museus, ler jornais e gibis* assistir a programas de TV a cabo, ir bastante ao cinema, escrever um diário ou fazer um curso de teatro são atividades que proporcionam uma visão ampla e receptiva da vida”, complementa a matéria. E é verdade. O tal currículo oculto é útil às mais diversas profissões. A matéria selecionou seis delas e Jornalismo está entre as escolhidas. Como não achei esse texto na internet, reproduzo abaixo a parte referente a essa profissão com sete comentários pessoais.De qualquer maneira, não deixem de visitar o site da revista Época periodicamente.*(N.R: Revistas de quadrinhos ou “arte seqüencial”, como o mestre Will Eisner assim desejava)O que você deve fazer antes, durante e
depois de entrar para uma faculdade de
JORNALISMO
Antes
> Coloque os jornais e revistas na sua vida cotidiana
O estudante de jornalismo tem que ter um repertório de informações acima da média. Ter a assinatura de um jornal diário ou revista semanal é obrigatório*(1). Rache o custo com amigos e compartilhe as publicações. Na internet, há várias newsletters online que você pode assinar gratuitamente. Esse é um bom caminho para tomar gosto pela notícia e conhecer diferentes estilos de redação.
> Escreva muito
Você pode começar por um diário. Isso não é coisa de adolescente não, é coisa de escritor: Carlos Drummond de Andrade foi um dos que revelaram ter mantido diário quase a vida inteira. Para melhorar ainda mais o estilo, você pode fazer curso de redação criativa. *(2)
> Faça curso de inglês
Jornalistas que não falam inglês, hoje, têm opções restritas no mercado. No futuro, inglês será pré-requisito de toda contratação. Para melhorar o ouvido e ampliar o vocabulário vire um devorador de séries e filmes legendados na TV a cabo. Aproveite o recurso dos DVD players e coloque legenda em inglês para acompanhar os diálogos. É excelente para afinar o ouvido e a leitura. O importante é falar e entender.
Durante
Curse um segundo idioma
> Saber duas línguas estrangeiras é uma vantagem. Espanhol, italiano e francês são boas opções. *(3)
Faça um curso que desenvolva o pensamento crítico
> O jornalista tem de apresentar opinião embasada em argumentos consistentes. Cursos de extensão em política e ciências sociais podem ser uma boa pedida. Filosofia também.
Faça estágio
> Jornalismo não é só teoria. Quem nunca viveu a pressão do prazo apertado de um fechamento de revista ou jornal ainda não sabe o que e´ser jornalista. *(4)
Depois *(5)
> Curse outra faculdade na área de humanas
O jornalista sai da faculdade conhecendo, principalmente, técnicas de produção de conteúdo para vários meios de comunicação. Daí a necessidade de uma segunda formação acadêmica, na qual possa se aprofundar num campo do conhecimento. Muitos optam por Ciências Sociais, Letras ou História. Também pode ser um mestrado, afinal, qualquer semelhança entre a pesquisa acadêmica e a boa reportagem não é mera coincidência.
> Faça curso de especialização
Se voltar ao banco de uma faculdade não está nos seus planos, então parta para um curso de especialização na sua faculdade ou em outras faculdades de jornalismo. Entidades como a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Comunique-se*(6) e Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) também oferece cursos de especialização *(7). Pesquise os sites.
Saindo das águas brasileiras, você pode acessar www.universia.com.br e pesquisar as opções em cursos das 985 faculdades de dez países reunidas no site.
Fonte: Welington Andrade, coordenador de ensino de jornalismo da Faculdade Casper Líbero
————— Comentários:
1 – Não diria que “ter a assinatura de um jornal diário ou revista semanal é obrigatório”, até porque, o ideal é ler e comparar diversas publicações. Por isso a dica de compartilhar publicações é muito mais importante. Mas leia diariamente! Leia muito!
2 – Crie um blog e procure comentar assuntos atuais e importantes e também escreva sobre temas que você domina.
3 – Mandarim também.
4 – Eu costumo dizer que quem não passou por uma redação de jornal, de preferência diário, não é um jornalista completo.
5 – Pouca gente se estimula a fazer uma segunda faculdade, ou por falta de dinheiro ou de motivação. Dê mais atenção a cursos de aperfeiçoamento e dentro da área onde você vai se especializar como jornalista. Ou então passe alguns meses em outro país. Isso, algumas vezes, pode valer mais do que uma segunda faculdade.
6 – Na verdade, o Comunique-se não é uma entidade, é um site. Ou melhor, é um “portal brasileiro totalmente voltado para profissionais de comunicação“. E, como está publicado no próprio site, sua missão é “divulgar notícias de bastidores do mercado jornalístico brasileiro, colocar em discussão aspectos práticos e éticos da profissão, além de fornecer ferramentas de apoio para o trabalho diário dos jornalistas de todo o país.”
7 – A matéria esquece de mencionar a quase centenária Associação Brasileira de Imprensa, a casa do jornalista. Um entidade que sempre lutou pela liberdade de imprensa e pela democracia no Brasil. Neste ano a Associação criou alguns cursos de especialização.
Add comment 30 Outubro, 2006
E lá se foram 100 anos
Muitas homenagens celebrando o feito de Santos Dumont aconteceram neste mês e se acentuaram nos últimos dias: no domingo a TV Cultura e a Rede Globo fizeram a sua parte apresentando com programas especiais sobre o vôo do 14-Bis. Nesta segunda-feira, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um caderno especial sobre o inventor. Mas a Editora Abril lançou um DVD com o documentário da BBC, Santos Dumont – O Homem Pode Voar (clique aqui para ver um trailer do filme). Ele também está à venda nas bancas de jornal. Mas não confundir este lançamento da Abril, com o ótimo documentário O Homem Pode Voar, de Nelson Hoineff que recentemente era exibido em alguns cinemas da país (leia entrevista com o diretor deste filme, aqui). Viste a página deste documentário no site Adoro Cinema e matéria sobre a estréia no cinema, clicando aqui e aqui.
Com Santos Dumont o homem aprendeu a voar com um aparelho mais pesado do que o ar, sem ser impulsionado por uma catapulta.
Para saber mais, visite também o site Alô Escola, da TV Cultura e o site criado especialmente para comemorar os 100 anos do vôo do 14-Bis. (que traz mais informações sobre o filme O Homem Pode Voar).
Add comment 24 Outubro, 2006