Archive for março, 2006

O filme da Pirelli

Estreou nesta semana uma grande ação de marketing voltada para o público que navega na internet para promover, de uma maneira bem insólita, a Pirelli – empresa conhecida por seus famosos calendários e também por ser fabricante de pneus. A empresa bancou a realização de uma série de filmes com grandes atores e diretores americanos e criou um hot-site para divulgá-los. O primeiro filme da série se chama The Call e é estrelado pelo astro John Malkovich, além de contar com a participação da modelo Naomi Campbell. O curta é dirigido por Antoine Fuqua, diretor do filme Dia de Treinamento (com Denzel Washington). A idéia nem é nova: a BMW já fez uma brilhante campanha em 2001 quando promoveu sua marca lançando oito filmes que também foram estrelados e dirigidos por grandes nomes do cinema americano. A campanha causou furor na internet e foram contabilizados milhões de downloads da série de filmes. Mas, mesmo não sendo uma idéia inédita, vale a pena dar uma conferida no site clicando aqui.

The Call 

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30 março, 2006 at 6:19 am Deixe um comentário

Boa Noite, e Boa Sorte e o McCarthismo

No texto O Oscar e algo mais recomendo Boa Noite, e Boa Sorte, excelente filme que deve ser assistido, principalmente por quem deseja fazer faculdade de jornalismo. Mas seria muito importante, antes de ver o filme, entender um pouco sobre a época e os acontecimentos retratados nessa produção. Se possível, fale com seu professor de história para que ele relembre esse período, chamado de McCarthismo. A Segunda Guerra Mundial havia acabado há poucos anos; a Rússia se tornava uma potência comunista e o medo e a guerra fria criou, nos Estados Unidos, uma paranóia anticomunista. É nesse cenário que se instaura o Comitê de Atividades Antiamericanas – uma espécie de "CPI" para descobrir, perseguir e prender comunistas – e surge o Senador Joseph McCarthy, responsável pelo que passaria a ser conhecido de McCarthismo, um dos períodos mais negros da história dos EUA.

Dois filmes brilhantes também retratam essa época com fidelidade: Culpado Por Suspeita, de Irwin Winkler, com Robert de Niro; e Testa-de-Ferro Por Acaso, de Martin Ritt, com Woody Allen. Procure esses dois filmes na sua locadora e assista-os também.

O site do PCdoB tem um texto que se refere a esses três filmes, que transcrevo a seguir um trecho. Para ler o texto completo, clique aqui.

Boa Noite e Boa Sorte não contextualiza a luta de Morrow, coloca-a como um embate entre duas personalidades fortes, insistentes, dispostas a jogar tudo, para alcançar seu objetivo. De um lado está ele, Morrow, defensor dos valores democráticos e da liberdade de opinião, de outro McCarthy, o vilão, perseguidor de comunistas. Como mote para um filme que faz pensar em Bush como embusteiro, é válido. Outros filmes, no entanto, contextualizaram melhor o macarthismo. Culpado por Suspeita, de Irwin Winkler, mostra o inferno que virou a vida de um cineasta, obrigado a fazer filmes de baixo orçamento para sobreviver, ou Testa-de-Ferro por Acaso, em que Martin Ritt reflete sobre a vida do roteirista Abrahan Polonski, incluído na lista dos 10 cineastas impedidos de trabalhar em sua profissão nos EUA daquela época.

No entanto, em Boa Noite e Boa Sorte compreende-se porque a liberdade de opinião e o direito à informação estavam ameaçados. Estava em jogo uma questão maior: a disputa entre dois sistemas antagônicos: capitalismo x socialismo. E a direita americana usou McCarthy para atacar astros, estrelas e técnicos de Hollywood, professores de universidades, cientistas, escritores e militantes comunistas ou simpatizantes, como forma de atingir as forças de esquerda americanas. Muitos deles eram europeus, a exemplo de Bertold Brecht, exilado nos EUA, devido ao nazismo, ou imigrantes que fizeram a América, caso de Charles Chaplin.

Os personagens de Culpado por Suspeita e de Testa-de-Ferro por Acaso são perdedores, temporários. Morrow é vencedor em toda a extensão. O veículo em que empreende sua luta contra McCarthy é por demais poderoso para não arranhar sua imagem de defensor dos valores americanos, ameaçada pelo senador jr, McCarthy. Em certos momentos, Morrow parece quase inatingível. Não treme nem quando o patrocinador do programa deixa-o em apuros perante o patrão Paley. O diálogo entre ambos é sintomático do que se vê hoje: o empresário da comunicação não quer programa que faça o telespectador refletir, prefere um que custe menos, dê lucro e não o leve a correr riscos. Igual ao que ocorre ainda hoje. É a lógica do capitalismo na transformação da informação em produto."

Para ver o trailer de Boa Noite, e Boa Sorte clique no link.

Indicações de textos 

– Apesar de não ser um texto muito bom, clique aqui para conhecer um pouco sobre o McCarthismo.

– Leia a matéria da revista Bravo! sobre o filme Boa Noite, e Boa Sorte.

– Leia uma crítica publicada na época do lançamento do filme Culpado por Suspeita nos cinemas escrita pelo jornalista Aramis Milarch. Culpado por Suspeita

– Para finalizar, leia a crítica de Rubens Ewald Filho sobre o filme Nunca aos Domingos, dirigido por um realizador perseguido pelo Comitê de Atividades Antiamericanas.

Ah! E antes que alguém pense alguma bobagem, aqui vai um aviso: eu não sou comunista!

29 março, 2006 at 5:53 am Deixe um comentário

Jornalista recém-formado sofre…

Quer saber a opinião de um jornalista recém-formado sobre o mercado de trabalho? Leia o texto Recém-formado: e agora? de Cesar de Oliveira, publicado no Comunique-se. Leia também os comentários postados, especialmente o do jornalista Euclides de Oliveira.

23 março, 2006 at 11:32 pm Deixe um comentário

De Jesus

Maria Angela de Jesus é uma jornalista formidável. E, como se não bastasse, adora cinema, exatamente como qualquer pessoa normal deveria ser. Hoje descobri que ela tem um blog que, ultimamente, não tem sido atualizado. Mas não importa. Seus textos são impagáveis, assim como sua fina ironia. Claro que seria ótimo se ela publicasse mais. Porém resta o consolo de ler e reler seu histórico. Arrisque uma data e divirta-se. Abaixo transcrevo o texto Tudo é relativo, menos o orkut, publicado na quarta-feira, dia 11 de novembro de 2005, às 18:24. Mas não se reprima! Leia outros textos dela, como a Carta ao Presidente (sim, ela escreve uma carta indignada ao nosso molusco-mor) ou Em nome de Jesus, que não é nenhuma crítica ao catolicismo ou a algumas dessas igrejas caça-níqueis evangélicas que infestam o país. Na realidade ela discorre sobre a importância de se ter um nome adequado. “Nomes fazem a diferença”, escreve. Como é o caso dela: Maria Angela de Jesus! Como ela mesmo define, é a santíssima trindade! “Em minhas viagens pelo mundo afora, já ouvi de tudo. Até uma desorientada recepcionista de um hotel em Londres que me perguntou, com toda a fleuma britânica, qual era o significado de meu nome na minha língua. “Jesus? Well, you know the son of God…”, respondi.” Curioso? Leia todo o texto!

Tudo é relativo, menos o orkut 

Toda vez que acesso minha página do orkut, me pergunto: pra que serve isso? Juro, não consigo entender a utilidade desse bicho. Talvez alguém possa me ajudar. Mas fico pensando: os amigos eu encontro pela vida; os inimigos não quero encontrar; amigos do passado se ficaram pra trás é porque não tinham mais nada a ver; amigos futuros vou cruzando por aí. E volto à mesma pergunta: pra que orkut? Ok, serve pra fazer trocadilho infâme, tipo “quem tem orkut, tem medo”, “passarinho que come pedra sabe o orkut que tem”, “pimenta no orkut dos outros é refresco”. Fora isso, a utilização é pequena. Serve pra lustrar o ego, pra mostrar pra todo mundo que você tem mais de 300 amigos (!!!), para ganhar elogios em público. Fora isso, nada, niente, rien!
Não, não tenho saco pra isso. Muito menos para aquelas mensagens: “fulano te adicionou como amigo…” Alguém que você esqueceu lá no passado, com quem você já não tem nenhuma afinidade. E aí você troca aqueles “scraps” bestas: “pô, quanto tempo”/ “nossa, cê tá igualzinho”/ “vamos tomar um café qualquer hora dessas”. Mentira. Na verdade, cada vez que você acessar sua página vai ver fotos de um bando de gente que você mal se lembra. E aí você pensa, totalmente culpado, nossa preciso escrever pro fulano. Ok, não se sinta culpado. Você não vai escrever e a outra pessoa também não! Faz parte do jogo! A vida é assim: a gente diz que quer se ver, mas na verdade tá só cumprindo protocolo! Pensa bem: a gente tem correio, telefone, celular, pager, email, msn. Se não usa nenhum deles para falar com um amigo, não vai ser o orkut que vai mudar isso! Daí, volto à pergunta: orkut, pra quê?

23 março, 2006 at 10:05 pm Deixe um comentário

O Oscar e algo mais

Ok, é muito tarde para tecer cometários a respeito do Oscar deste ano. Mas não para ler o texto do Celso Sabadin sobre a Academia, publicado no site CineClick, e ler também textos sobre o filme Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney, que considero o melhor dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme.

A revista Veja publicou a matéria O Grande Agitador, sobre George Clooney e, claro, não deixou de comentar a respeito deste ótimo filme:
"Clooney, de fato, sabe tudo o que vale a pena saber sobre a cruzada anticomunista liderada pelo senador Joseph McCarthy – e acha que esse demônio que tentou a democracia americana na década de 50 está vivo e passa bem nos dias de hoje. Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, Estados Unidos/Inglaterra/França, 2005), já em cartaz no país, trata de como o circunspecto âncora Edward Murrow, da rede CBS, deu um nó em McCarthy, transformando o caçador de comunistas em caça de uma investigação do Congresso. Clooney interpreta o chefe da equipe do âncora e acumula também os créditos de produtor, diretor e roteirista. Essa intimidade com o tema é, em boa parte, a responsável por Boa Noite e Boa Sorte (frase com que Murrow, numa entonação cheia de presságios, se despedia dos espectadores ao fim de cada transmissão) ter resultado tão bem-sucedido. Rodado em preto-e-branco, o filme faz uma costura elegante de dramatização com imagens genuínas da época – todos os depoimentos de McCarthy, como inquisidor e como inquirido, são reais, já que dificilmente um ator conseguiria competir com a aura sinistra do original. De resto, esse filme curto e econômico funciona quase como que uma peça de jazz, na qual atores como David Strathairn (também indicado ao Oscar), Robert Downey Jr. e Frank Langella interpretam a partir das deixas uns dos outros, mais revivendo um momento particular da história do que propriamente recriando-o."
(Para ler a matéria completa de Veja sobre o diretor, produtor e ator, clique no link O Grande Agitador, no início deste texto.)

O filme Boa Noite e Boa Sorte é obrigatório para quem gosta de jornalismo, cinema, história, etc, etc. Leia a crítica de Nelson Hoineff, publicada no site Críticos.com.br. Aproveite e compare com as críticas publicadas no site Cine Repórter e no CineClick.

23 março, 2006 at 8:14 pm Deixe um comentário

Todo crítico é um chato de galocha?

Não, claro que não! A maioria deles usa sapato ou tênis. Leia o texto Todo criador é um réu, de José Paulo Lanyi, publicado no site Comunique-se e dê seu veredito. Mas não seja cri-cri…

23 março, 2006 at 5:18 am Deixe um comentário

Lançada antologia de O Pasquim

O PASQUIM - ANTOLOGIA 1969 - 1971Boa notícia para quem quer conhecer, rever, reler, relembrar um dos mais importantes veículos já lançados no Brasil: O Pasquim, tablóide que provocava a ditadura com textos e charges produzidos por um time de primeira. Leia a matéria publicada no Comunique-se aqui.

Para ler a matéria publicada no JB on Line, clique aqui.
Para conhecer o site da editora responsável pelo lançamento, clique aqui.
Para comprar o livro na Cultura, clique aqui.

12 março, 2006 at 7:30 pm Deixe um comentário

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