Boa Noite, e Boa Sorte e o McCarthismo

29 março, 2006 at 5:53 am Deixe um comentário

No texto O Oscar e algo mais recomendo Boa Noite, e Boa Sorte, excelente filme que deve ser assistido, principalmente por quem deseja fazer faculdade de jornalismo. Mas seria muito importante, antes de ver o filme, entender um pouco sobre a época e os acontecimentos retratados nessa produção. Se possível, fale com seu professor de história para que ele relembre esse período, chamado de McCarthismo. A Segunda Guerra Mundial havia acabado há poucos anos; a Rússia se tornava uma potência comunista e o medo e a guerra fria criou, nos Estados Unidos, uma paranóia anticomunista. É nesse cenário que se instaura o Comitê de Atividades Antiamericanas – uma espécie de "CPI" para descobrir, perseguir e prender comunistas – e surge o Senador Joseph McCarthy, responsável pelo que passaria a ser conhecido de McCarthismo, um dos períodos mais negros da história dos EUA.

Dois filmes brilhantes também retratam essa época com fidelidade: Culpado Por Suspeita, de Irwin Winkler, com Robert de Niro; e Testa-de-Ferro Por Acaso, de Martin Ritt, com Woody Allen. Procure esses dois filmes na sua locadora e assista-os também.

O site do PCdoB tem um texto que se refere a esses três filmes, que transcrevo a seguir um trecho. Para ler o texto completo, clique aqui.

Boa Noite e Boa Sorte não contextualiza a luta de Morrow, coloca-a como um embate entre duas personalidades fortes, insistentes, dispostas a jogar tudo, para alcançar seu objetivo. De um lado está ele, Morrow, defensor dos valores democráticos e da liberdade de opinião, de outro McCarthy, o vilão, perseguidor de comunistas. Como mote para um filme que faz pensar em Bush como embusteiro, é válido. Outros filmes, no entanto, contextualizaram melhor o macarthismo. Culpado por Suspeita, de Irwin Winkler, mostra o inferno que virou a vida de um cineasta, obrigado a fazer filmes de baixo orçamento para sobreviver, ou Testa-de-Ferro por Acaso, em que Martin Ritt reflete sobre a vida do roteirista Abrahan Polonski, incluído na lista dos 10 cineastas impedidos de trabalhar em sua profissão nos EUA daquela época.

No entanto, em Boa Noite e Boa Sorte compreende-se porque a liberdade de opinião e o direito à informação estavam ameaçados. Estava em jogo uma questão maior: a disputa entre dois sistemas antagônicos: capitalismo x socialismo. E a direita americana usou McCarthy para atacar astros, estrelas e técnicos de Hollywood, professores de universidades, cientistas, escritores e militantes comunistas ou simpatizantes, como forma de atingir as forças de esquerda americanas. Muitos deles eram europeus, a exemplo de Bertold Brecht, exilado nos EUA, devido ao nazismo, ou imigrantes que fizeram a América, caso de Charles Chaplin.

Os personagens de Culpado por Suspeita e de Testa-de-Ferro por Acaso são perdedores, temporários. Morrow é vencedor em toda a extensão. O veículo em que empreende sua luta contra McCarthy é por demais poderoso para não arranhar sua imagem de defensor dos valores americanos, ameaçada pelo senador jr, McCarthy. Em certos momentos, Morrow parece quase inatingível. Não treme nem quando o patrocinador do programa deixa-o em apuros perante o patrão Paley. O diálogo entre ambos é sintomático do que se vê hoje: o empresário da comunicação não quer programa que faça o telespectador refletir, prefere um que custe menos, dê lucro e não o leve a correr riscos. Igual ao que ocorre ainda hoje. É a lógica do capitalismo na transformação da informação em produto."

Para ver o trailer de Boa Noite, e Boa Sorte clique no link.

Indicações de textos 

– Apesar de não ser um texto muito bom, clique aqui para conhecer um pouco sobre o McCarthismo.

– Leia a matéria da revista Bravo! sobre o filme Boa Noite, e Boa Sorte.

– Leia uma crítica publicada na época do lançamento do filme Culpado por Suspeita nos cinemas escrita pelo jornalista Aramis Milarch. Culpado por Suspeita

– Para finalizar, leia a crítica de Rubens Ewald Filho sobre o filme Nunca aos Domingos, dirigido por um realizador perseguido pelo Comitê de Atividades Antiamericanas.

Ah! E antes que alguém pense alguma bobagem, aqui vai um aviso: eu não sou comunista!

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