Soninha toda pura

1 setembro, 2006 at 1:01 pm Deixe um comentário

SoninhaNo começo do ano recomendei aos alunos a leitura do texto Política = Filme grego sem legenda?, da Sonia Francine, publicado no boletim da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) de 2002, intitulado A Mídia dos Jovens (clique no link para baixar o relatório). O texto da Soninha encerra o relatório na página 47.

Depois de sua leitura os alunos deveriam fazer uma análise rápida do texto, concordando ou não com o ponto de vista da jornalista. A resultado que mais me chamou atenção, da aluna Amanda Medeiros, publiquei agora no blog do ParaTudo! (clique para ler).

Por tudo o que está acontecendo no Brasil e pela aproximação das eleições, acho importantíssimo a leitura do texto da Sônia, que continua bastante atual (apesar de ter sido escrito em 2002). Como ele não está publicado na internet – apenas no relatório da Andi –, tomei a liberdade de copiá-lo abaixo. Por favor, leiam, analisem e comentem.

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Política = filme grego sem legenda?
Sonia Francine
Eu confesso: tem horas que eu desanimo. Mesmo fazendo questão deprestar atenção no lado positivo das coisas, mesmo recusando asgeneralizações do tipo “os jovens de hoje em dia são individualistas ealienados”, eu às vezes desanimo

Infelizmente, temos uma massa de jovens a tal ponto desiludidos que não são capazes nem dos sonhos mais mesquinhos e medíocres – do tipo “quero ficar famoso e parar de estudar”. Que não têm idéia do “que vão ser quando crescerem” e não conseguiriam formular um desejo para o gênio da lâmpada se ele aparecesse à sua frente. Que não se interessam por política mas também não se entusiasmam com música, cinema, futebol e muito menos com livros e jornais, cidadania, meio ambiente…

Esses jovens não caíram de outro planeta. Eles fazem parte de um mundo que inclui adultos igualmente desinteressados, desinformados, ausentes. Uns e outros são consumidores há anos de uma mídia que cultiva a idéia de que “política é muito chato” e que “político nenhum presta”. O noticiário se refere muito a bastidores e manobras, a “acordo de líderes” e “obstrução de pauta”, e também a “denúncias de improbidade” e outros desvios de comportamento. Quase não se fala da função de cada um – vereador, deputado, etc. – e da influência deles na nossa vida.

Proponho um teste – assistir ao noticiário de política com um grupo de jovens e perguntarem seguida: “Qual foi a notícia? O que ela significa? Quem são aquelas pessoas? O que elas fazem?”. Não me surpreenderia se o efeito produzido for semelhante ao de um filme grego sem legendas. Mesmo assim há jovens interessados, críticos e ao mesmo tempo entusiasmados. Eles participam de grupos de discussão, lêem jornais, escrevem para as seções de leitores, participam deONGs. Escrevem letras de rap, fazem saraus, promovem debates. Como diminuir a diferença entre esses e os demais?

Para tentar conquistar os distantes, temos de ressaltar o poder da urna. Explicar que todo voto tem um significado, mesmo que não vá para o candidato em primeiro lugar. Que a votação de cada um vai determinar o seu peso em futuras negociações. Temos de lembrar – e demonstrar – que a propaganda não é o melhor instrumento para decidir o voto. E, principalmente, lembrar o que apolítica tem a ver com a vida de todo cidadão, mesmo que ele não vote e pense: “não quero me envolver com isso”.

Não é difícil lembrar a um garoto que a política tem a ver com o ônibus lotado, o trânsito engarrafado, o ar poluído, a escola mal cuidada, o posto de saúde superlotado, o bairro deteriorado. Assim como tem a ver com o parque bem cuidado, a quadra reformada, a biblioteca bem abastecida, o lixo reciclado, o imposto bem aplicado. A vida dele é afetada diariamente por decisões e atitudes dos políticos, que às vezes ele imagina serem criaturas próprias apenas dos plenários, corredores de Brasília e palanques.

É preciso também explicar o que queremos dizer com “não basta votar, tem de acompanhar o desempenho dos políticos”. Ah, é? Como? Que tal dar uma força, apresentando as atividades deles – não só a “politicagem” – e explicando as maneiras de interferir? Fora do âmbito da mídia, as escolas podem promover simulações com os candidatos de verdade – e seus eleitores, verdadeiros ou fictícios, debatendo sobre as suas propostas – ou com alunos disputando uma eleição. Taí uma boa oportunidade para fundar um grêmio onde já não existe um. Seria uma boa aplicação para a competitividade do adolescente.

Mas o melhor de tudo é poder contar com os próprios jovens como aliados. O garoto que já acompanha, se interessa, entende, tem um desafio: conquistar o interesse dos outros. Sem ser arrogante, sem ser chato ou agressivo. Ele pode conversar com os pais, amigos, irmãos, vizinhos… E habilmente revelar a eles o fascinante mundo da cidadania política.Estão todos convidados!

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PS – Para visitar o blog da Sonia, clique aqui.
Para ler uma entrevista que ela concedeu durante o escândalo de corrupção que envolveu o PT, o Presidente Lula e seus ministros, clique aqui.

Pelo desrespeito que o PT teve com todos os brasileiros – por imaginar que somos idiotas –, não votarei em nenhum candidato desse partido, apesar de reconhecer que Sônia merece respeito e não pode ser confundida com o joio que infesta esse partido.

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“O que me mete medo é a impunidade” Parabéns ao Friburgo

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