Archive for janeiro, 2007

O fantástico Ariano

Ariano Suassuna - Foto de José Cruz/ABrOntem o Fantástico exibiu uma entrevista de Ariano Suassuna ao jornalista Geneton Moraes Neto, sob o pretexto de que 2007 é o ano do grande escritor. Afinal, ele completa 80 anos no dia 16 de junho e, comemorando a data, a Rede Globo exibirá uma minissérie baseada no Romance da Pedra do Reino. Uma das coisas que me chamou atenção nessa entrevista é que, finalmente, alguém com bom senso chama a atenção para aquele monumento ao mau gosto e “à imbecilidade humana” erguido na Barra da Tijuca: a réplica da estátua da liberdade. Não há muito mais o que acrescentar sobre aquela estupidez além de “derrubem aquilo!”. Mas, voltando à sensatez, o fato é que Ariano Suassuna é um ferrenho defensor da cultura brasileira. Disse ele numa entrevista à revista Caros Amigos: “Eu não faço concessão nenhuma“. Esse é o seu estilo. O de um Dom Quixote arcaico, como ele mesmo lembra na entrevista ao Fantástico. Geneton Moraes Neto também é um desses jornalistas que não têm mais paciência para a imbecilidade que predomina aqui e ali. Então, ele deve ter se divertido muito entrevistando o imortal (é, Ariano Suassuna é um imortal) dramaturgo. Afinal, não é tão fácil assim encontrar alguém que chame Michael Jackson de “representante número 1 do lixo cultural”. E ali, naquela entrevista, os dois (certamente) concordavam com essa afirmação.

Agora, meninos e meninas, prestem atenção à resposta que o entrevistado dá à pergunta “Como é o Brasil dos sonhos de Ariano Suassuna?”. Espetacular.

Conheça mais sobre Suassuna lendo sua entrevista à revista Caros Amigos e veja seu verbete na Wikipédia. E assistam à adaptação da obra de suassuna no filme/minissérie da Globo, O Auto da Compadecida.

A humanidade se divide em dois grupos, os que concordam comigo e os equivocados.”

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8 janeiro, 2007 at 11:52 am Deixe um comentário

Contra o jabaculê

Juliana Aquino enviou-me um e-mail comemorando a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, do projeto de lei 1.048/03, que criminaliza a propina para divulgação de artistas em emissoras de rádio e televisão, o famoso “jabá”. Pelo projeto – que agora irá para apreciação no plenário da Câmara –, é crime o recebimento, por parte de proprietário, gerente, responsável, radialista ou apresentador, de vantagem de gravadora, artista, empresário, promotor de concertos ou afins para privilegiar a execução de determinada música. O crime é punível com pena de detenção de um a dois anos, sem prejuízo de sanções de multa, suspensão ou cassação, previstas na lei. 

Lobão e Bia Grabois - Foto de Marcelo Salles/fazendomidia.com
Para saber mais leia a matéria Músico defende maior envolvimento do governo no combate ao jabá, de Aline Beckstein, para a Agência Brasil. Visite também o site Fazendo Mídia, de onde foi tirada a foto acima, de Marcelo Salles, onde aparecem os irredutíveis Lobão e Bia Grabois, presidente do movimento Jabásta!

6 janeiro, 2007 at 2:03 pm Deixe um comentário

Leve 2007 e ganhe um ano bom

IdeogramasUma colega, a jornalista Fátima Gigliotti, enviou um delicado texto desejando um 2007 leve e “pleno da sustentável leveza do ser”. Não é que eu concorde ipsis-literis com tudo o que está escrito (afinal há um tom bastante otimista para esses dias de atentados e da falta de melodia na vida das pessoas), mas a beleza da mensagem e o seu teor, que nos leva à reflexão, não poderiam ficar restritas a, apenas, uma mídia. Por isso o reproduzo abaixo:
“Milan Kundera, que eu admiro tanto, que me perdoe. Mas leveza é fundamental. E sustentável sim.
Nesse ano nós perdemos Robert Altman, talvez o inventor do conto cinematográfico, e Philippe Noiret, o poeta Neruda que no cinema transformou a vida de um carteiro com o poder da metáfora, numa obra inesquecível – maduros, até velhinhos, se me permitem. Vimos Chico Buarque numa temporada memorável no lançamento de seu novo CD, que teve inclusive livro-canção lançado nas bancas, com reportagem biográfica de Humberto Werneck: monumental artista e monumental jornalista e escritor, juntos; e vimos Caetano também, que juntou-se à nova geração de músicos, a de seu filho Moreno, no CD “Cê”.
Tantas palavras – e fatos – para constatar uma realidade: não, nossos heróis não estão morrendo de overdose, mas de vida! E a maturidade, essa benção tão menosprezada pela mídia em geral, com sua vocação comercial para a juvenilização do entretenimento, ignora ser ignorada e continua produzindo algumas das melhores obras da cultura, brasileira e internacional. Geração abençoada essa nossa.
Abençoada também porque tem o privilégio de testemunhar e, eventualmente, ser sujeito de um momento único da teoria da informação, da filosofia da comunicação: o nascimento de um possível novo modelo econômico, ainda capitalista, o da gestão sustentável, do compromisso com o futuro, em linhas gerais. E nele, a informação e sua comunicação tem papel primordial, senão prioritário: o de conferir transparência, coerência e legitimidade às ações financeiras, sob todas as suas possíveis abordagens. Seriam a economia e também a política se alinhando à “nova ordem mundial”? Ou ainda “alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”?
No Brasil também, de qualquer maneira, a nova tendência caminha a passos largos, para quem tem olhos de ver, e o conceito de sustentabilidade ecoa, e faz ecoar também os primeiros passos do que pode se chamar de comunicação sustentável… quem sabe teremos nos próximos anos cultura sustentável?
Peixes Posso passar por otimista, mas acredito que uma atitude vale por dez mil palavras (já que uma imagem vale por mil palavras). E queria convidá-lo (a) a celebrar esse 2007 com uma nova atitude, a da sustentável leveza do ser. Um diretor de teatro e cinema que eu admiro muito me disse que estava escrevendo uma comédia, nada política, leve. Me fez pensar como a nossa tradição judaico-cristã abandonou o humor e se tornou especialista em ironia: arte da inteligência, sim. Mas quase nunca leve.
Por isso, queria desejar um 2007 leve. Muito leve, de bom humor, alegre, apesar de consciente. Um 2007 pleno da sustentável leveza do ser. Afinal, não temos tempo a perder, como diz o Lenine na letra da música “Paciência”, uma obra-prima da nossa MPB, mesmo para quem não é muito fã. A vida é tão rara, mesmo. Por isso, deveria ser sempre celebrada, apesar dos pesares. Nos seus mínimos – e preciosos – detalhes.”

PS: os ideogramas são meramente ilustrativos. Não tenho a menor idéia do que eles significam…

2 janeiro, 2007 at 1:02 pm Deixe um comentário


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