Muito é pouco

18 fevereiro, 2007 at 5:26 pm 1 comentário

Muito já se falou sobre o assassinato hediondo do menino João Hélio e muito devemos falar ainda. Devemos cobrar das “autoridades” estabelecidas que nos tratem como cidadãos. Sim, o Brasil é uma nação doente; sua população não é tratada com dignidade! Chegamos a um nível de crueldade e violência que não dá mais para esperarmos ações burocráticas e “politicamente corretas”. A sociedade tem que reagir e exigir soluções Favela no Rio de Janeiroemergenciais para conter a violência e ações efetivas em educação, saúde, emprego; clamar por uma justiça séria e rápida e lutar pela transparência e pelo combate intransigente à corrupção. Mas as “autoridades” só apresentam ações paliativas e assim fingem que estão tomando providências. Tudo jogo de cena para fugir de suas responsabilidades! E grande parte da população entra nessa. Há que se acordar desse torpor o quanto antes!

Sobre esta tragédia, Soninha, vereadora e colunista do jornal Folha de S.Paulo, escreveu em seu blog um texto que mostra sua insatisfação e sensação de impotência.”Eu continuo vivendo, fazendo minhas coisas, indo a reuniões, recebendo as pessoas, gravando programas, mas me debatendo contra a sensação de futilidade, impotência, derrotismo. Fico remoendo causas e maneiras de combatê-las, e ao mesmo tempo em que tudo aparece com uma clareza incrível, minha cabeça continua embaralhada.(clique para ler o texto completo)

No excelente blog Celso Bessa Post-its, o autor escreve com emoção e alerta sobre o invisível e sobre a capacidade de ver, de enxergar a realidade: “…se derem sorte como eu dei ontem – de o trem estar com problemas e lento, verá a favela num travelling digno de Kurosawa e riquíssimo em detalhes: ali existem pessoas como existem nas mansões dos Jardins e nos prédios comerciais da Vila Olímpia, ali tem trabalhador e tem malandro, tem gente tentando construir uma casa decente em meio a barracos amontoados, tem criança brincando na beira do córrego e próxima de contrair Leptospirose. Verá que há uma criança andando com um olhar cansado e um caderno embaixo do braço, um adolescente com um tênis Nike original caríssimo em frente um lugar discreto (e suspeito), um garoto e sua irmã menor dando tchau para as pessoas no trem (como eu fazia na infância no interior de São Paulo), uma mulher lavando roupa para de pelo menos 5 pessoas, verá um birosca, verá gente, verá anjos e verá monstros também.

Já o jornalista Fritz Utzeri, colunista do site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI Online) alerta para outro detalhe muito importante em seu texto E a GM não paga nada?: “Se o caso João Hélio tivesse ocorrido nos EUA, as exigências de quem quer sangue por sangue já estariam atendidas e dificilmente os criminosos (mesmo o “Dimenor”) escapariam da pena de morte. Mas (…) lá haveria outro tópico em debate, totalmente ignorado entre nós e a General Motors estaria na berlinda.(clique para ler todo o texto)

A política brasileira, medíocre, não acrescenta nada de útil à discussão sobre essa realidade brutal. Com as peças de xadrez dispostas como estão não vejo solução a médio prazo. Já fui mais otimista. Hoje somos meros peões na mãos de incompetentes e corruptos. O pessimismo toma conta das pessoas mais sensatas como confirma o final do texto de Utzeri:
A verdade é que apodrecemos e não há mais jeito. No discurso todos enchem a boca para falar o óbvio, mas, me desculpem, marchamos a passos largos para uma sociedade do cada um por si e Deus contra todos. Perdão pelo pessimismo.

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Entry filed under: Imprensa, Indispensável.

Acredite se quiser: o Sol é seu! Dá-lhe duro, Katatudo

1 Comentário Add your own

  • 1. Celso Bessa  |  24 fevereiro, 2007 às 5:36 pm

    Olá Francisco.

    Acho que o WordPress está com algum problema pois não está me mostrando os track/pingbacks quando citam algum texto do Post-Its. Portanto, só vi esse seu texto hoje.

    Ontem eu comentava com uma amiga alemã que prentede fazer algum trabalho social no Brasil num futuro não muito distante e comentei que as vezes precisamos desligar um pouco e deixar de ver todos esses problemas que nos oprime e nos faz sentir exatamente como a Soninha descreve. Meio que uma válvula de segurança para não enlouquecermos de vez. O problema é que esse conforto da cegueira acaba se toran permanente e realmente ficamos cegos.

    Eu realmente acredito que mudar isso depende de ações nossas, da sociedade representada em cada indivíduo, fazendo o que pode. Seja através de práticas éticas no trabalho, de dar comida e educação, de criar formas de integração e inserção social, de prover ferramentas para uma redistribuição de oportunidades e poder (meu projeto acadêmico e profissional é nessa direção) ou mesmo lembrando as pessoas do óbvio que foi escondido, ajudar as pessoas a reenxergarem o mundo á volta e não apenas o mundo encerrado pela própria derme.

    Celso Bessa
    planejador, comunicador, fazedor, e wordpresser

    Responder

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