Cadê o hífen?

18 março, 2007 at 8:21 pm Deixe um comentário

(Continuação do texto Falta educação)

Antes de mais nada é bom explicar uma coisa: não estou aqui para apontar e corrigir erros de ninguém. Até peço perdão aos leitores pelos meus equívocos em nossa língua inculta e bela. Mas, não posso me furtar a fazer alguns comentários a respeito do pouco respeitoso editorial do JCE. Para um jornal que publica um texto inconformado com a qualidade da educação brasileira e que discrimina o seu concorrente por um erro de digitação, se espera um excelente nível, pelo menos no que diz respeito às regras básicas de português, certo? Errado.
Apesar de questionar sobre os rumos de uma nação “sem a educação”, os redatores desse semanário também cometem erros em suas manchetes. Sim, eu dei uma olhada nos títulos das matérias e sabia que iria encontrar, pelo menos um erro. Bastavam os títulos. Nem um texto a mais. Dito e feito. Na página 12 do JCE, a matéria de seis colunas ganha uma manchete em duas linhas com um erro grave no título. Veja a imagem abaixo (clique nela se você quiser ampliá-la):
Super-Receita
Viu o erro? É superfácil. Super é um prefixo que se liga, com ou sem hífen, ao elemento seguinte. Como está no excelente Manual de Redação e Estilo – O Estado de S.Paulo, de Eduardo Martins, esse prefixo “liga-se com hífen aos elementos iniciados por h e r: super-homem, super-requintado. Nos demais casos: superaquecimento, superestrutura“. O Manual ainda destaca que “mesmo quando usado para valorizar alguma coisa, super funciona como prefixo e está sujeito às regras acima: superassalto (e não “super assalto“).”

Bom… não é só o JCE que erra ao grafar a palavra Super-Receita sem hífen, mas veja nos links a seguir como ela é usada de maneira correta:
Folha de S.Paulo
IstoÉ DinheiroJornal do SenadoFranklin Martins no Último SegundoReceita Federal
Recorte do JCE
E já que estamos falando de deslizes, vamos a outros. Estes não são erros de português, mas vale o registro. Veja na imagem acima o recorte da página 11, da mesma edição do JCE (clique nela para ampliá-la):
O título da manchete começa mal: Senado/DF? Como assim? Existe um Senado/MG? Ou um Senado/SP?
Tem mais: no crédito* da foto que ilustra a matéria – cuja a legenda é um singelo “Prédio do Congresso Nacional” –, está escrito “Banco de Imagens/JC&E”. Ou seja, baseado nessa informação a foto pertence a um banco de imagens do próprio jornal. Certo? Errado novamente. Aqui, ou houve má fé ou um grave equívoco, pois a foto publicada é doFoto de Reynaldo Stavale fotógrafo Reynaldo Stavale (veja foto original ao lado) e está disponível para publicação – desde que citada a fonte – no banco de imagens da Agência Câmara (da Câmara dos Deputados).

Erros sempre acontecem na imprensa. Muitos deles se tornam folclóricos, como comprova o considerado Moacir Japiassu em sua coluna Jornal da ImprenÇa, publicada periodicamente no Comunique-se (para ler a divertidíssima coluna do Japi, o leitor tem que se cadastrar no site ou então ler o seu Blogstraquis). Agora, o JCE deveria se preocupar menos com a Folha Dirigida e mais com suas edições semanais.

* É o texto que fica sobre a foto e que está no círculo vermelho na imagem.

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